Relato de Parto!!!

Mesmo antes de ficar grávida já havia decidido que teria um parto natural humanizado, com a confirmação da gravidez veio também a certeza de que queria que meu bebê nascesse em casa.
A principio todos foram contras, mas ia mostrando aqueles que eu queria comigo no parto as razões da minha escolha, levava nos grupos de grávida, mostrava vídeos e textos científicos, enfim mostrava que a minha decisão havia sido pautada em muito estudo e evidências, só queria comigo durante o parto quem apoiasse e entendesse minha opção.
Ao me ver anunciado a gravidez para as minhas amigas da faculdade a Lílian me chamou para conversar e me falou sobre a Adriana (Enfermeira Obstetra) e o grupo Vínculo.Na mesma semana passei a freqüentar as reuniões do grupo Vínculo e marquei uma conversa com a Adriana.
As reuniões do GV eram uma delícia, cheia de informações e muita conversa.
No dia da conversa com a Adriana conhecemos também a Camila, dois anjos em forma de parteiras, a conversa foi tão boa que não vimos o tempo passar, saí do Arte de Nascer com a certeza de que queria essas duas comigo no parto.
No 3º trimestre de gravidez os ultrassons passaram a acusar um aumento do liquido amniótico, mas como não havia nenhum motivo sério causando este aumento fui acalmada pelo Drº Ayrton e pelas parteiras, o que me deu segurança para continuar com os meus planos para um parto domiciliar.
O Anthony sempre foi um bebê grande para os padrões, estava sempre acima das curvas de crescimento e peso, o que fazia algumas pessoas questionarem se não seria loucura parir um bebê tão grande e gordo de forma natural e em casa, eu apenas sorria e respondia que meu corpo não iria gerar um bebê maior do que eu fosse capaz de parir.
O fato do liquido estar aumentado e do Anthony estar grande e gordo me levaram a acreditar que ele nasceria com 37 semanas, um dia antes de completar as 37 semanas tivemos uma consulta com as meninas e a Dri viu que o Anthony ainda não estava encaixado, mas já tinha baixado bastante, eu já estava com pódromos, mas eram poucos e bem espaçados, sai de lá bem mais tranqüila e muito menos ansiosa.
No dia 04/08/14 meu marido me disse que havia sonhado que eu entrava em trabalho de parto, ele passou o dia todo perguntando se eu estava sentindo algo, se havia algum indicio de trabalho de parto, mas não tinha tido nenhum sinal, até que as 21h20 ao me levantar do sofá minha bolsa estourou, foi um misto de emoções, medo, ansiedade, felicidade.
Ligamos para a Cá e avisamos que a bolsa tinha estourado, ela avisou a Dri, as 23h00 a Dri chegou em casa para me ver e perguntou se poderia fazer um exame de toque, respondi que sim, fiquei muito feliz ao saber que estava com 3cm de dilatação, falei sorrindo para o meu marido:
 – Agora só faltam mais 7cm.
Perguntei como saberia se estava tendo contrações ao que a Dri respondeu:
-Quando for contração você vai saber, não terá dúvida.
Ela pediu que eu ligasse quando as contrações estivessem regulares ou quando eu quisesse que ela viesse me ver.
O Diego perguntou se ele podia ir tomar banho, respondi que sim, que ficaria bem, que sentia uma dorzinha bem fraca e não estava vindo em intervalos regulares.
Após uma hora as contrações passaram a durar 2 minutos e vir em intervalos regulares, mas ainda estavam suportáveis, só precisava respirar um pouco mais fundo quando elas chegavam. Resolvi ir arrumando os últimos detalhes pendurei na geladeira meu plano de parto, uma lista com telefones úteis, e fiz gelatina, enfim deixei tudo organizado para o parto.
Estava tarde, mais de meia noite e decidimos ir nos deitar, no meio do corredor veio uma contração bem dolorida que me fez desistir de ir deitar e querer ir para o chuveiro, no chuveiro as contrações ficaram mais intensas, mas em compensação a água quente aliviava a dor. Liguei para a Dri e disse que estava tendo contrações, quando ela me perguntou o intervalo entre elas, disse que não sabia, a única coisa que eu sabia era que elas estavam doendo bastante, ela me orientou a ligar para a minha mãe e disse que ligaria dentro de meia hora para ver como eu estava.
Quando minha mãe e minha irmã chegaram eu já estava na partolândia, completamente desconectada do mundo, só conseguia pensar em mim e no meu bebê, lembro que minha irmã tirou uma foto assim que chegou e eu sorri para a foto.
Todos se revezavam para fazer massagem na minha lombar que era onde eu sentia as contrações.
Minha mãe achou que era melhor ligar para que a Dri e a Cá viessem para cá.
A Dri chegou primeiro, eu ainda estava no chuveiro, ela me pediu para avisar quando viesse uma contração para ouvir e medir os batimentos do Anthony, avisei, ela mediu e estava tudo certo.
Tentei sair do chuveiro, pois já estava ficando fraca, mas ao tentar me deitar veio uma contração e eu travei completamente, a dor ficava insuportável deitada, voltei para o chuveiro, neste momento estavam enchendo a piscina, eu não conversava e nem ouvia as conversas ao meu redor, só pensava em ajudar o Anthony a nascer.
Lembro de ter ficado encantada com a arrumação da sala, as velas, a música e a piscina, achei tudo lindo. A piscina estava uma delicia, consegui até cochilar no intervalo das contrações, a todo momento alguém me alimentava, com gelatina ou sorvete e me dava água ou gatorade, sentia muita sede e muito calor também.
Às 06h00 am do domingo, dia 05/01/14, comecei a sentir vontade de fazer força, não conseguia controlar, meu corpo fazia força involuntariamente, disse para a Cá se eu podia fazer força ela disse que sim se eu sentisse vontade, já era possível enxergar a cabeça do Anthony no meu canal de parto, a Dri e a Cá me falaram para sentir a cabeça dele, balancei a cabeça dizendo que não, mas depois resolvi colocar a mão, e realmente ele já estava quase saindo.
Pedi para sair da piscina, as meninas arrumaram então a minha cama, para que eu pudesse ficar em quatro apoios apoiada por travesseiros, deu para descansar bem nesta posição, mas ela não me ajudava muito na hora de fazer força. Fiquei um tempo assim e voltei para o chuveiro, tomei um banho, comi um pão com manteiga, e de vez em quando sentia vontade de fazer força e fazia, o problema era que sempre que parava de fazer força o Anthony subia tudo o que tinha descido enquanto eu fazia força.
Tomei um chá com canela, gengibre e pimenta para regularizar novamente as contrações, e as meninas me pediram para andar um pouco e balançar o quadril para ajudar o Anthony a descer, andar não era muito agradável e o chá também não era nada bom…rsrs.
O chá me deu muito sono, deitei com o Diego, ele estava exausto, e entre um puxo e outro consegui cochilar.
 Já era de tarde, a Dri e a Cá vieram falar comigo, disseram que eu já estava fazendo força há bastante tempo e que não havia mais nada a fazer para ajudar o Anthony a nascer, perguntei se ele estava bem, se havia algum problema que estava impedindo ele de nascer, elas disseram que ele estava ótimo (o tempo todo os batimentos dele eram monitorados), mas que estavam preocupadas comigo, eu estava exausta, respondi que se ele estava bem não havia motivos para ir para o hospital, ele ia nascer e ia nascer em casa, passei a conversar com meu filho, explicando que ele não precisava ter medo de nascer que eu e o pai dele estaríamos sempre ao lado dele e que queríamos muito conhecê-lo.
Durante um dos puxos a Cá me ajudou a saber para onde direcionar minha força, elas me pediram para gritar enquanto fazia força que isso me ajudaria, isso tornou bem mais fácil o processo.
Fui andar com o Diego pela casa, batendo firmemente os pés no chão, para que os puxos voltassem a ficar regulares, durante o puxo eu me agachava e agarrava no Diego para fazer força, o Anthony quase nasceu no corredor, faltou bem pouco.
Sozinhos no quarto, eu e o Diego começamos a dançar abraçados e a cantar a música “Minha pequena Eva”, que é uma de nossas músicas.
A Dri e a Cá resolveram tentar o fórceps humanizado, é presa uma canga embaixo da barriga e durante o puxo eu me agachava e cada uma puxava de um lado, além disso a Cá pediu para a avó ou a mãe dela, não me lembro, chamar o Anthony, que quando ela chamava o bebê nascia.
Depois de algumas tentativas com o fórceps humanizado optamos por tentar o parto na banqueta, agora sentia que estava mais perto do que nunca para o Anthony nascer, tentamos por a banqueta em cima da cama, mas achamos melhor usá-la no chão mesmo.
Durante um puxo empurrei com toda a força que sentia, senti então o famoso círculo de fogo e a cabeça do Anthony abrindo passagem para o resto do corpo, foi uma dor muito forte, mas logo em seguida da dor veio uma sensação enorme de alívio, de dever cumprido, de amor transbordando, eu havia conseguido, meu bebê nasceu em casa, como eu quis, como eu planejei.
Peguei ele assim que saiu de mim e nunca vou me esquecer do seu cheiro, de como sua pele estava quente e escorregadia e de como o mundo todo pareceu parar naquele instante, abracei-o e o aconcheguei em meus seios, numa tentativa de fazer com que sentisse fisicamente todo o amor que emanava de mim, ele encarou o pai, olhou para tudo que estava ao seu redor e só então começou a chorar, o acalmei dizendo que era a mamãe que estava ali.
Minha mãe, meu marido e as meninas me colocaram na cama para que eu pudesse amamentar e para examinar meu períneo.
O Anthony sugou com bastante força e mamou por uns 20 minutos aproximadamente, quando foi constatado que o cordão umbilical havia parado de pulsar chamaram meu marido para cortá-lo, minutos depois eu pari a placenta, de cócoras em cima da minha cama, sem nenhuma intercorrência.
Precisei de somente 4 pontos superficiais, por conta de uma laceração mínima.
Anthony nasceu às 18h10 do dia 05/01/2014, um domingo ensolarado, medindo 53,5 cm e pesando 3,920 kg , depois de 16 horas de trabalho de parto ativo e quase 12 horas de expulsivo.
Esse dia com toda a certeza foi o mais importante e especial da minha vida.
Agradeço imensamente a Deus por ter me permitido a graça de ter gerado e parido um bebê lindo e saudável.
Ao Anthony por ter me escolhido como mãe e por ter passado por essa experiência comigo.
Agradeço ainda ao meu marido que sempre esteve ao meu lado, que foi meu doulo, meu companheiro, meu porto seguro e que sempre acreditou em mim…
A minha mãe e irmã que também estiveram o tempo todo ao meu lado…
A Dri e a Cá, dois anjos em forma de parteira, duas meninas/mulheres lindas e muito iluminadas! E a minha amiga Lílian que foi quem me levou até elas.
Ao Dr. Ayrton por respeitar e apoiar minha decisão pelo parto domiciliar.
E a todos aqueles que oraram para que tudo desse certo.

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